Eixo Norte-Galiza

22Mar/100

Born a Lion vão agitar Galiza…Filme dos Tédio Boys também vai na bagagem

BORN A LION (Leiria -PT)  + SAMESUGAS (Compostela - GZ)*
*26/03/2010 - 22:30 - Sala Le Club - Corunha*
*Entrada: 6EUR*

*BORN A LION (Leiria -PT)  + METRALLETAS LECHERAS (Milhadoiro - GZ)*
*27/03/2010 - 22:30 - Sala Moon - Compostela*
*Entrada: 6EUR*

É a próxima digressão organizada pela Audiência Zero. Os Born a Lion são a aposta que se
segue na direcção da Galiza para duas datas a 26 e 27 de Março, primeiro na Corunha e
depois em Santiago de Compostela. Na Corunha, no Bar Le Club, o blues espesso e potente
do grupo da Marinha Grande, que herdou nome de um dos melhores albuns de Danko Jones,
associa a cada seu concerto uma imagem de pujança arrebatadora que evidencia a clara
inspiração em lendas do hard-rock e rock'n'roll dos setentas... como Black Sabbath,
Motorhead, Led Zeppelin ou MC5. Em formato trio, os Born a Lion são de uma carga
explosiva em cima do palco. Uma guitarra e um baixo acompanham o baterista/vocalista da
banda. Na Corunha, a companhia dos Born a Lion também é de respeito e só é recomendada a
ouvidos resistentes.

Os galegos Samesugas, grupo referência do projecto do Eixo Norte-Galiza, são já uma
instituição do punk/hardcore espanhol face à longa carreira que levam e aos concertos
furiosos e brutais que oferecem.

Em Compostela com os Born a Lion dividem palco os Metralletas Lecheras, um trio que conta
com o ex-Jimenez del Oso e Iribarnes Rafa Anido e o ex-Phantom Keys Zé Pequeno, dois
virtuosos, curiosos e dinâmicos músicos galegos, que apostam no punk e no rock
experimental, à base de muito ruído.

http://www.myspace.com/bornalionband
http://www.myspace.com/samesugas
http://www.myspace.com/metralletaslecheras
http://www.audienciazero.org/
http://www.myspace.com/lixourbano

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22Mar/100

Play-Doc premiou duas longas-metragens

A sexta edição do Play-Doc - Festival Internacional de Documentários de Tui - chegou ao fim, deixando novamente bem estampado o sucesso da organização. O festival chamou ao longo de cinco dias mais de sete mil pessoas, que puderam presenciar e comprovar a vitalidade do género documental. É também o momento grande para a cidade de Tui, invadida por cinéfilos de todos o mundo, que ajudam a criar uma bonita atmosfera entre o Teatro Area Panoramica, que acolhe as exibições da totalidade dos filmes e a Sala Metropol, que se coloca a jeito da dinamização das actividades paralelas,casos dos concertos. No que toca a distinções, a edição 2010 atribuiu prémio máximo a duas longas metragens:  “Sweetgrass” um co-produção inglesa, francesa e americana, de Ilisa Barbash e Lucien Castaig-Taylor e “Sanya e Pardal”, do russo Andrey Gryazev. Alvo de uma retrospectiva, Jay Rosenblatt, viu “La oscuridad del día” triunfar como melhor curta-metragem. Já o filme “Tanyaradzwa”, de Alberte Pagán, foi considerado o melhor documentário galego. Conhecedor do Play-Doc, embora sem presença este ano, a Audiência Zero dá os sinceros parabéns a Angel Sanchez e Sara Garcia, os seus directores, pelo impacto do festival na comunidade e pelo papel extremamente meritório na projecção da arte documental.

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17Mar/100

Black Bombaim falam à Audiência Zero do novo lançamento ‘Saturdays and Space Travels’

É já esta sexta-feira, dia 19, que os Black Bombaim vão fazer a festa de apresentação do primeiro álbum longa duração, em formato vinil. Em Lisboa na Galeria Zé dos Bois. Depois de se ter reinventado e ter construído uma identidade única no panorama rock nacional, o trio de Barcelos já voa e passeia noutras galáxias sonoras, levado por delírios psicadélicos e contundência stoner.  A combinação instrumental é de tal forma explosiva que fura tímpanos e semeia o caos. Da cave para os festivais, os Black Bombaim podem habitar em qualquer espaço e daí partir numa direcção desconhecida, em alta aceleração e em volume brutal, capaz de pôr em alvoroço, qual tempestade de areia, o mais recôndito deserto. Para quem vê, não há conforto ou distanciamento, é adrenalina pura a correr no sangue, petrificação absoluta em forma de encanto visual e um número indeterminável de pastilhas engolidas compulsivamente, agitadoras e potenciadoras de elevarem a mente a andamentos vertiginosos e suscitarem visões áridas. Os Black Bombaim não deixam ninguém indiferente, sem rendilhados oferecem poucas músicas mas matam a sede do público num instante, fazendo uso de malhas agressivas disparadas sem quebra de fôlego e uma bateria atacada com máxima destreza.  ‘Saturdays and Space Travels’ é o nome do trabalho do Black Bombaim com uma capa de fazer inveja a inúmeros grupos que já conquistaram o estrelato. Mérito da banda de Barcelos que, fruto dos seus concertos brutais, puros, impactantes para a vista,violentos para o ouvido, tem espalhado competência e um brilho resplandecente nas primeiras partes de grupos como Brant Bjork, Radio Moscow ou Karma to Burn. A tentar tocar na alta roda «heavy metal instrumental psicadélico», segundo definição dos próprios para os territórios sonoros nos quais se movem, os Black Bombaim viram Nat Damm (colaboradorde Comets on Fire, Melvins ou Mono) aceder ao desenho deste disco, que tem distribuição limitada de 300 exemplares. Dois lados, duas músicas, cada uma de intensos e cheios 20 minutos. No Porto, a apresentação está agendada para o Passos Manuel a 9 de Abril, mês que também irá proporcionar nova visita à Galiza na companhia dos amigos e conterrâneos ALTO!. O baixista Tojo Rodrigues, regressado de uma passagem pela Hungria, aceitou o desafio de desfiar a carreira dos Black Bombaim e partilhar algumas das melhores experiências deste trajecto incrivelmente ascendente, que se abre a outros mundos. Senra, na bateria, e Ricardo, na guitarra, fecham o grupo.

SENDO A VOSSA EVOLUÇÃO UMA DAS COISAS MAIS ESPANTOSAS...QUE DISCO É ESTE QUE VOCÊS APRESENTAM AGORA? OLHANDO À CAPA, A COISA PROMETE...

Este disco é a tentativa de mostrar ao ouvinte a experiência de um concerto de Black Bombaim ao vivo, no conforto do seu lar. Um disco gravado em directo, sem grandes arranjos de produção, tentando mesmo recriar aquilo que fazemos ao vivo. A capa é um excelente trabalho do Nat Damm. Quando entramos em contacto com ele, demos-lhe total liberdade para criar o artwork, apenas lhe enviamos o disco, deixando-o trabalhar apenas com essa inspiração.E achamos que capturou o espírito do disco na perfeição.Vemos a nossa evolução como um processo completamente natural, já que quando Black Bombaim começou mal sabíamos tocar os nossos intrumentos, foi algo que a experiência nos trouxe.

 ATÉ ESTA COESÃO FOI MUITA ESTRADA...QUEM VOS VIU NO INÍCIO E VÊ AGORA FICA ASSOMBRADO COM O PRODUTO QUE ESTÁ AÍ...FOI COM ESTE CAMINHO QUE SEMPRE SONHARAM?

Sim, o que mais gostamos de fazer é tocar ao vivo, e do modo que tudo nos tem corrido, não podemos deixar de estar contentes com o resultado de todo o nosso trabalho ao longo destes poucos anos. Temos tocado muito ao vivo, e o plano será continuar a fazê-lo.

É PRATICAMENTE CONSENSUAL A ADMIRAÇÃO DE TODOS AQUELES QUE TÊM OPORTUNIDADE DE VER OS BLACK BOMBAIM NO PALCO. AS BOAS CRÍTICAS TÊM SIDO CONSTANTES. DE QUE MODO ISSO TEM SIDO ESTIMULANTE NO PROCESSO CRIATIVO?

Sem dúvida, a boa recepção que temos tido é motivação para criar coisas novas e continuar a tocar ao vivo. Além da necessidade de estarmos satisfeitos com o nosso próprio trabalho, é muito importante o feedback de quem nos ouve e vê.                                                      

POR FALAR NISSO COMO É QUE VOCES TRABALHAM A PARTE DA CONSTRUÇÃO...UM CONCERTO DOS BLACK BOMBAIM É ENGOLIDO NUM SÓ TRAGO, EM MÚSICAS LONGAS, DURAS, VIOLENTAS. SAI-SE DA SALA LITERALMENTE ATURDIDO, ESGOTADO, SURDO. UM DIRECTO E DUAS OU TRÊS MÚSICAS DE VINTE MINUTOS...PARA ARREBENTAR PAREDES E APARELHOS AUDITIVOS...SENTEM ESSE EFEITO POR CADA ACTUAÇÃO?

A parte da construção dos temas sai muito naturalmente, basicamente nos ensaios criamos um riff e improvisamos a partir daí. Se gostarmos do resultado, tentamos arranjar forma de colocar esse trecho no alinhamento que já temos, mas sempre interligado, de forma a resultar num “set” contínuo, vendo o concerto até como apenas uma música.

 ONDE VÃO BUSCAR ESSE ENERGIA E TODA EXPLOSÃO SÓNICA? AS DROGAS TÊM DADO ALGUMA LUZ A ISTO TUDO?

Talvez.

DO STONER AO PSICADÉLICO, COMO É QUE VOCÊS SE GOSTAM MAIS DE DEFINIR?

Black Bombaim, heavy rock psicadélico instrumental de Barcelos.

E ESSA EXPERIÊNCIA DE DIVISÃO DE PALCO COM TANTO GRUPO EMBLEMÁTICO DO GÉNERO STONER, DA CORRENTE PSICADÉLICA, CASOS DE BRANT BJORK, RADIO MOSCOW, KARMA TO BURN OU WHITE HILLS, O QUE TEM SIGNIFICADO? EM ALGUMAS SITUAÇÕES, ATÉ PARECE HAVER ROUBO DE PROTAGONISMO?

Roubo de protagonismo parece um pouco exagerado, mas a verdade é que o público que não nos conhece fica admirado com os concertos que damos. Como tocamos com bandas do mesmo estilo musical, é sempre público que depois de nos ver, sempre que pode, acompanha-nos ao vivo a partir desse primeiro contacto.

DA CENA BARCELENSE AO TRIUNFO NACIONAL, PORTUGAL JÁ PARECE HOJE ESPAÇO CURTO PARA TAMANHA DESENVOLTURA. AS PORTAS NO ESTRANGEIRO TENDEM A ABRIR-SE?

Sim, apesar de Portugal ter um público crescente para o estilo que praticamos, sabemos que esse público é muito maior em determinados países. O objectivo é tentar também passar por esses palcos para uma maior rodagem e o contacto com pessoas diferentes, e dentro do movimento.

E ESPANHA...GALIZA...SEMPRE EM MENTE...O NOVO DISCO VAI CHEGAR LÁ. DEPOIS DE IDAS ANTERIORES, QUE RESPOSTA ESPERAM DO PÚBLICO GALEGO?

O público galego é público que se gosta de divertir e adoramos isso. Além de aderirem bem aos concertos, também gostam de apoiar a banda e comprar discos.

E MUITOS CONCERTOS DAQUI PARA A FRENTE...APRESENTAÇÕES DO DISCO EM PORTO E LISBOA...QUAL É O ESPÍRITO DA DIGRESSÃO?

O espírito é tentar rodar o maior número de palcos possíveis, mostrar a nossa música a pessoas que não a conheçam. Mas acima de tudo, passar bons momentos a fazer aquilo que mais gostamos.

NOTA: AUDIÇÃO DOS BLACK BOMBAIM RECOMENDADA EM WWW.MYSPACE.COM/BLACKBOMBAIM

14Mar/100

Born a Lion na Galiza

A espera foi longa mas o regresso faz-se em força com ataque duplo dos Born a Lion à Galiza. É a Audiência Zero a manter vivo quanto possível o intercâmbio cultural entre a Galiza e o Norte de Portugal. O trio da Marinha Grande vai actuar na Corunha e Santiago de Compostela já este mês, nos próximos dias 26 e 27. Antes actua em Coimbra, aquecendo motor para a viagem até a Espanha, particularmente à Galiza, que já era desejada pelo grupo há largo tempo. Com novo album na bagageira, o potente trio que une o blues a um rock de cariz mais pesado vai despedir-se de Portugal no Via Latina (Coimbra, no dia 25), seguindo para um concerto na Corunha (Bar Le Club, dia 26) com essa máquina de punk/hardcore chamada Samesugas. A gira encerra na cidade especial: em Santiago de Compostela, na Sala Moon, no dia 27, lado a lado com um grupo recém formado, a dois: Metralletas Lecheras.

10Mar/100

d3ö rumam a norte

A banda de Coimbra, que tão bem expele para a assistência concertos altamente calorosos, vai brindar o público do norte com duas datas já este fim-de-semana. A 12 de Março a deslocação é ao Minho para uma actuação integrada em mais um ciclo Sons de Vez (Casa das Artes de Arcos de Valdevez), seguindo-se a 13 de Março o esperado regresso ao Porto para um concerto no Armazém do Chá. Um caldinho bem quente de punk e blues promete aquecer gargantas e fazer escaldar o ambiente, o que é norma sempre que o ex-Tedio Boys Toni Fortuna (voz e guitarra), e os ex-Garbage Catz Tó Rui (guitarra) e Miguel (bateria) assaltam os palcos. Após d3ö, o rock'n'roll vai ter ainda a melhor continuidade no sábado com a dupla 2Badj's a assumir pleno controlo da cabine de som, eles que tanto entusiasmo conseguem gerar no público, puxando pelo volume e pela história do rock, enquanto produto derivado do soul e blues.

8Mar/100

Fantas pôs Invicta a ferver…recebendo mais de 42 mil espectadores

Heartless, Fish Tank e Thirst foram os filmes galardoados com as principais distinções do 30º Fantasporto - Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto - alimentado por muito e bom cinema ao longo de duas semanas, produções de todo o mundo entre novidades, reposições e retrospectivas, que foram a razão principal de mais uma notável média de espectadores. Pelo Grande e Pequeno Auditório do Rivoli terão passado mais de 42 mil pessoas, número partilhado por Mário Dorminsky na cerimónia de encerramento, ao que seguiram os prémios - que tiveram como protagonista o simpático Phillip Ridley, realizador inglês do multipremiado Heartless - e a exibição do filme 'The Crazies'. Pela noite dentro rolou o Baile dos Vampiros, uma festa mediática mas este ano pouca concorrida e minoritariamente mascarada. As propostas de dj set estiveram longe do nível de outros anos e essa terá sido a causa da escassa afluência, ainda para mais num sábado com especial frenesim na noite da Invicta.

Fechado o pano a mais uma edição é justo sublinhar que apesar da subtracção de apoios e da luta constante, por vezes desesperada, com o intuito sensibilizar as entidades competentes a outro tipo de apoio, o Fantas resiste com brilho e aura imensa, sendo de forma indiscutível uma marca de atracção cultural única na cidade, um baluarte de intervenção no campo audiovisual e ainda um festival cheio de vitalidade e coesão interna, entre directores, colaboradores e voluntariado. As mesmas caras, a mesma boa disposição e toda a informação necessária em circulação. Os 30 anos do Fantas foram celebrados em comunhão com outros ícones da cidade, chamados a subir ao palco do Rivoli para tocantes homenagens. Rui Veloso pelos seus trinta anos de carreira e o actor Júlio Cardoso, fundador da Seiva Trupe, a quem foi reconhecida uma louvável dedicação ao Teatro. Estes foram só mais dois a alinhar numa mensagem global, repetida mesmo por interlocutores internacionais. A luta do Fantas por mais apoios, particularmente, por uma maior atenção da Câmara Municipal do Porto e do Governo, foi reproduzida em palavras por diferentes agentes e distintos participantes. Num discurso de maior combate do próprio Mário Dorminsky até aos apontamentos mais circunstanciais de elementos do juri, da Galiza à Bulgária, da pintora russa Ludmila (recado textualmente escrito num papel a fazer lembrar galas mais pomposas) e que também fizeram eco pela voz do realizador inglês Phillip Ridley. Todos juntos, unidos por um festival cada vez mais forte...mais a viver do que a sobreviver.

Revivalista, saudosista, o Fantasporto prossegue vivo, chamativo e terminou com enchente para uma sessão cheia de adrenalina e divertido horror visual. Recente sucesso no Estados Unidos 'The Crazies'foi o filme resguardado para o final, feito com o intuito de homenagear George Romero pelos quarenta anos de 'Night of the Living Dead'. Quanto aos premiados, o Fantas honrou para a posterioridade Phillip Ridley, já vencedor em 1995 com 'The Passion of Darkly Noon'. Desta vez e após longo hiato criativo no que toca ao cinema, privilegiando outras paixões artísticas, o inglês trouxe ao Porto 'Heartless', que arrecadou troféu de Grande Prémio, melhor realizador e melhor actor - Jim Sturgess. Heartless foca os alucínios brutais de um fotógrafo nos subúrbios de Londres, invadido por visões de demónios e tentado a fazer um pacto com o diabo para limpar da cara uma marca de nascença. É a partir daí e com o brilhante surgimento do 'Homem das Armas' que o protagonista passa a ser confrontado com dilemas de personalidade, entrando numa densa histeria paranóica. Na categoria de cinema fantástico a menção honrosa do júri recaiu muito justamente em 'Deliver Us From Evil' da Dinamarca, que conta com um conjunto de interpretações brilhantes e um marcado registo sarcástico à volta de uma história de ódio e xenofobia impregnados numa comunidade. O final é verdadeiramente desconcertante...daqueles para aplaudir com todo o ritual do Fantasporto. Seguramente um dos melhores filmes do festival, assinado pelo dinamarquês Ole Bornedal.

Além do grande vencedor - Ridley subiu três vezes consecutivas ao palco - o Fantasporto 2010 premiou Fish Tank (Andrea Arnold) como Melhor Filme da Semana dos Realizadores e respectivo prémio Manoel de Oliveira e Thirst (Park Chan-Woo) como Melhor Filme da Secção Orient Express. O autor do memorável Oldboy e Simpathy for the Lady Vengeance voltou a surpreender com mais um filme visualmente poderoso e totalmente provocador. Salvo por sangue de vampiro, um padre é subitamente acossado por uma incontrolável sede de sangue ao mesmo tempo que desenvolve uma paixão sem limites por uma companheira de um antigo amigo. Juntos passam a partilhar o mesmo fascínio pela carne humana e é dentro deste romance que assenta o filme, fortalecido por desempenhos altamente vigorosos, por vezes arrepiantes, emoldurados num trabalho genial de fotografia.

Fish Tank foi indiscutivelmente um dos filmes mais apreciados no Fantasporto e acabou por não constituir surpresa a sua eleição como melhor trabalho apresentado na 20ª Semana dos Realizadores. Suportado num notável argumento, Fish Tank dá-nos o retrato cru de uma adolescente ostracizada pelo mundo que a rodeia em plenos subúrbios de Londres.
'Ward Nº6' do russo Karen Shakhnazarov, recebeu o Prémio Especial do Júri na Semana dos Realizadores. Inspirado na literatura de Anton Tchekov, este filme toca pela temática perturbadora, explorada com um certo trato de documentário ficcionado. Um médico psiquiatra, director de um hospício, passa terrivelmente para a pele de paciente. De um realismo assombroso, este filme ganha vida nas suas personagens e não estranha que tenha constituido nomeação russa para os Óscares, encantando, comovendo e acabando até por fazer sorrir.

Focados os principais filmes, houve outros que deixaram marca e saíram devidamente reconhecidos. Caso do francês 'La Horde' um grande caçada de zombies que triunfou como melhor argumento e melhores efeitos especiais,o espanhol 'Hierro' através do desempenho da actriz Elena Amaya ou o extraordinário 'First Squad', película de animação absolutamente esplendorosa, visualmente impactante para os olhos de qualquer espectador e que nos remete para um pouco de história em redor da II Guerra Mundial. Invadida pelos nazis, a Rússia procura contrariar a vitória alemã com um grupo de crianças portadoras de poderes paranormais. Pelo meio surgem relatos reais de testemunhas, que ajudam a credibilizar 'First Squad' como um filme muito interessante e deveras recomendável. Sucesso de bilheteira a par do sul-coreano Thirst foi o espanhol REC2, que também fez as delícias de todos os fãs do horror zombie. O português Embargo, de António Ferreira, fez, por sua vez, esgotar o Pequeno Auditório. Jennifer's Body com a escaldante Megan Fox foi outro dos filmes que deixou patente o entusiasmo da plateia.

Pela negativa, nota para Solomon Kane, um dos filmes mais enfadonhos do festival, mas que convenceu a maioria do público, que o votou como melhor. Pior, só mesmo o italiano Night of the Sinner, tirando a actriz bielorrusa que fez questão de se apresentar no Fantasporto.

Como é habitual,o Fantas prestou a sua homenagem a algumas carreiras, como ao português Luís Galvão Teles, também ele porta-voz de um sentimento de carinho para com o festival. O autor montou uma retrospectiva da sua obra para o Pequeno Auditório do Rivoli e esteve presente na cerimónia de encerramento. O produtor Samuel Hadida (Killing Zoe, True Romance) e o americano Colin Arthur (mestre em efeitos especiais, que trabalhou com Kubrick em '2001, Odisseia no Espaço') foram outras presenças de renome no Porto, devidamente agraciadas.

Quanto a filmes de maior nomeada, ficou na retina o brilhante e humorísticamente refinado 'The Time that Remains' de Elia Suleiman, que esteve em competição em Cannes. O realizador parte das memórias do pai para ilustrar com mestria um retrato da Palestina ocupada, através de uma familia que recusa sair da terra-natal.

1Mar/100

Braga Jazz a partir de 6 Março

A décima primeira edição do Braga Jazz inicia esta semana, já a partir de quarta-feira (dia 4 de Março), prolongando-se até 13 de Março. Um ciclo de vários concertos capaz de fazer as delícias de qualquer apreciador de Jazz vai voltar a ocupar o distinto Grande Auditório do Theatro Circo. A portuguesa Maria João é quem tem a cargo o espectáculo inaugural (4). Seguem-se no cartaz actuações de Jerry Bergonzi Trio (Estados Unidos) no dia 5 e Cláudia Quintet (Estados Unidos) a 6. O Braga Jazz ocupa dois fins-de-semana da programação do prestigiado Theatro Circo. Na segunda semana passam por Braga Heloísa Fernandes Trio (Brasil) a 12 de Março e Jamie Baum Septet (Estados Unidos) a 13.

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1Mar/100

Fantas recebeu a Ministra da Cultura

A passagem do primeiro fim-de-semana trouxe as primeiras enchentes ao Fantasporto, reflexo da sessão oficial de abertura e da exibição de alguns dos filmes mais esperados. Ao acto mais pomposo compareceu a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, desafiada a responder às queixas tão recorrentes da organização do festival, forçada ano a ano a delicada ginástica orçamental para manter vivo o Fantas e dotá-lo de pujança e prestígio para o futuro. Fazendo uso desse espírito de resistência e persistência, embalado pelo amor e carinho de um Porto cinéfilo, o Fantasporto apresentou-se em 2010 como um distinto trintão mas já a aparentar rugas de aturada luta contra às adversidades. O cartaz, não é novidade para ninguém, está longe de equiparar à força de nomes do passado, acaba por ser pouco ousado em novidades, socorrendo-se das retrospectivas e dos grandes premiados para continuar a merecer olho bem aberto da crítica especializada e dos crónicos espectadores. Destacado como um dos 25 melhores festivais do mundo pela Variety, o Fantas não deixa de fazer grande eco fora de Portugal, sendo perceptível, sobretudo, a invasão espanhola por estes dias à Invicta e aos assentos do Rivoli.

Exemplo flagrante das dificuldades acabou por ser a selecção de Solomon Kane para a gala de abertura, logo em dose dupla, bem dispensável, tratando-se de exercício deveras descartável de aventura/fantasia cheia de clichés, diálogos baratos e desempenhos artificiais. A representação do filme esteve, no entanto, em força no Porto com o realizador Michalle Bassett e o produtor Samuel Hadida, ligado a filmes de culto como True Romance ou Killing Zoe. Da passada sexta-feira o ponto forte assentou mesmo nos discursos oficiais...de Beatriz Pacheco Pereira, Mário Dorminsky, duo que dirige o Fantasporto...e claro da senhora Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que definiu o evento como produto cultural de elevado e inestimável valor para o sector audiovisual português. Na sua intervenção, fez questão de trazer uma mensagem de esperança quanto ao futuro do festival numa altura em que sobre o mesmo emergem incertezas. Deu corpo às balas, ouviu pelo centralismo cada vez mais gritante e sufocante de Lisboa, e também pela indiferença dada à Cultura em Portugal em termos orçamentais, sem escapar, claro está, às bicadas pelo apoio escasso votado pelo Estado ao Fantasporto. Mas ficou patente uma nota de incentivo para o futuro, transmitida pela simples presença de tamanha figura do Governo e, igualmente, por uma carta deixada pelo deputado Honório Novo (PCP) ao cuidado de Mário Dorminsky, lida no Rivoli. Documento esse, que resumido, revelou o desejo de votar em Assembleia da República uma comparticipação maior do Estado ao Fantas, numa lógica de actividade potenciadora de lucros para a área do Turismo.

Tirando o enfadonho Solomon Kane, houve dinâmica e entretenimento na sessão de abertura, marcada especialmente pelos avanços da robótica, temática tratada e desenvolvida nesta 30ª edição do Fantasporto, através de uma panorâmica cinematográfica e workshops.

Em termos de qualidade da selecção oficial do festival, o sábado devolveu ao Fantas a sua melhor imagem com o francês 'La Horde' e o sul-coreano 'Thirst' a fazerem encher o Grande Auditório do Rivoli e a arrebatarem palmas bem justificadas. O primeiro foi apresentado pelos seus realizadores e levou à tela uma bela e bem humorada caçada de zombies. Quanto a Thirst o cartão de visita já era poderoso, deixou rastilho a muita discussão em Cannes, e estava creditado como mais um filme do imaginário de Park Chan Woon, aclamado pelo sucesso de Oldboy. Debaixo de um enfoque polémico, o realizador transforma um padre num vampiro sedento de sangue e louco pelos prazeres da carne, após participação numa experiência médica em África. Desvario total, personagens exploradas até ao tutano numa viagem salpicada de sangue, mas também repleta de um excelso toque sarcástico ao que pode ser o prazer de matar para saciar o mais louco apetite. Do dia, nota muito positiva para 'First Squad', filme de animação co-produzido entre russos japoneses e canadianos. Arrojado e deslumbrante, este filme alude a uma guerra paralela (de poderes paranormais) entre russos e alemães em plena segunda guerra mundial. E é uma criança apoiada pelos seus amigos que define a história no momento da verdade. 

Já ontem (domingo) a noite fechou com 'Dolan's Cadillac, de Jeff Beesley e protagonizado pelo conhecido Cristian Slater (True Romance). Uma vingança obestinada e meticulosamente arquitectada é o lema deste filme.

CINEMA ESPANHOL EM FORÇA

A segunda semana do Fantasporto vai iniciar hoje com forte presença espanhola e, aliás, muito aguardada. Falámos, essencialmente, de REC 2, sequela que surge apenas um ano passado sobre a exibição de REC, trabalho que nasceu da parceria entre Jaume Balagueró e Paco Plaza. O Grande Auditório do Rivoli receberá a partir das 23h15 mais esta obra-prima do terror que brota a grande escala no país vizinho. Sucesso do último ano em Espanha e seleccionado para a Semana da Crítica do Festival de Cannes, 'Hierro' antecede REC2 e pode ser visto pelas 21h15.

O Fantas chega ao fim a 6 de Março, estando reservada para a sessão de encerramento a exibição de 'The Crazies', que é uma homenagem a George Romero pela 'A Noite dos Mortos Vivos'. Ao longo do dia 7 serão exibidos os vencedores das diversas categorias do festival. O Baile dos Vampiros irá pôr o Sá da Bandeira ao rubro de fantasia, cor e intensidade na noite de 6 com Dj Ride e Dj Zé Pedro entre os protagonistas da festa. Para essa tarde (17 horas) foi também agendado um encontro informal de blogues luso-galaicos, logo após exibição desse sensacional,único, bandeira da Nouvelle Vague 'Pierrot le Fou' de Godard com Jean Paul Belmondo e Anna Karina. Às 15 horas no Grande Auditório do Rivoli.

28Feb/101

Patrícia Moon apresenta primeiro álbum

Aos 27 anos, Patrícia Argüelles é uma destacada intérprete galega, seduzida e embriagada pela arte nobre e refinada do violino, mas também envolvida por uma sede artística que não conhece limites. Acaba de apostar na sua carreira a solo com o seu primeiro album, debaixo da assinatura de 'Patrícia Moon' a entrar nos escaparates já hoje, 1 de Março. 

A jovem galega, natural de Vigo, é uma verdadeira alma musical, cheia de experiências a partilhar e caminhos a percorrer, desbravando com uma classe ímpar aqueles que são os seus sonhos e a sua consciência do mundo. O recente trabalho é reflexo dessa mente inquieta e ambiciosa, que sentiu ser este o momento oportuno para exprimir musicalmente todo o seu universo, rico e abrangente, fruto de uma formação académica e profissional invejável, que parece ter mais capítulos no horizonte. No disco não só nos delicia com a delicadeza e sensibilidade própria do violino, como encanta pela singularidade da voz e arrepia pelo toque mágico ao piano. 

 Fez parte do grupo galego Trem Fantasma que visitou Portugal por mãos da Audiência Zero e, pese a tenra idade, apresenta já um currículo vastíssimo de colaborações. Entre elas mantém uma ligação activa e criativa ao conceituado músico britânico Matt Elliott, somando participações nos seus últimos dois trabalhos.

Criar e viver numa caixa de cristal

Com uma beleza sedutora e um olhar magnetizante, Patricia tem o dom de cativar, a vontade de evoluir e a arte de explorar mundos e enriquecer conhecimentos. Marcante, sem dúvida, o projecto que concebeu no final de 2007 ao fechar-se numa caixa de cristal com cerca de 30 metros quadrados, em pleno centro de Madrid... aos olhos das pessoas...durante sete dias... centrada em compor uma obra musical...e em permanente comunicação com o público mais curioso. Um projecto, um desafio gigante...reconhecido e difundido à escala mundial. Apaixonada pela música, estimulada pela dança, inspirada pelo cinema, sempre a multiplicar e desmultiplicar projectos, Patrícia enche a entrevista com respostas que até parecem denunciar uma carreira de 30 ou 40 anos. Mas de vida são só 27...Notável.

Idenficação de Patrícia Argüelles: 

Local de Nascimento: Vigo

Idade: 27

Formação Musical:

Licenciada en violino em Espanha. Possui masterclasses de violinistas tão reconhecidos coma Mark Feldmann (John Zorn) ou Jorge Risi (aluno de Zsering, Menuhin). Aperfeiçoaamento dos estudos debaixo a tutela de Tomasz Tomaszewski (concertino da Deutsche Oper) en Berlín. Actualmente estuda a cadeira de Canto Lírico em Vigo e Harmonia Contemporânea, Composição e Arranjos na escola Ateneo Jazz em Madrid.

Currículo artístico (bandas, projectos e discos):

Violinista do conhecido músico britânico Matt Elliott: Failing Songs (2006) e Howling Songs (2008) e membro de Isga Collective e do desaparecido grupo Trem Fantasma.

Colaborações con artistas como: Siniestro Total, Los Piratas, Marc Eagleton (Natacha Atlas), etc. assim como com múltiplas orquestras de Espanha e Alemanha, chegando a tocar en sítios tão diferentes e importantes, desde festivais como Primavera Sound e Intercéltico de Lorient até salas como a Philarmonie de Berlin e o Congress Hall de Pequim.
Tocou ainda em diversos países e  cidades de Europa  (Portugal, Espanha, Itália, França, Bélgica, Alemanha) e Ásia  (Pequim, Huhaote, Jinjan, Daquing, Haerbin, Huheaote, Nanchang, Longyan, Zhangzhou, Jinan, Jinzhou).

Cabe ainda destacar o projecto realizado en Madrid, na Puerta de Alcalá, onde viveu 7 dias numa borbulha de cristal. A finalidade: compor uma obra musical.
Este projecto teve uma grande repercursão a nível mundial, 37 países: en todos os telejornais (TVE, TVE2, La Sexta, Telecinco, Antena 3, La Cuatro, TVG, etc.) periódicos nacionais, internacionais, regionais e locais (El País, El Mundo, ABC, London Times, China Post, El Yucatán (México),etc.), entrevistas para cadeias como a BBC, entrevistas para programas como Good Morning America (EEUU), Espanhaa Directo, rádios como Radio Nacional de Colombia, Onda Cero, revistas internacionais como Elle, Strad, etc.

Recebeu ainda uma bolsa da Faculdade de Música mais prestigiante do mundo: Berklee College of Music (EEUU) onde começará os seus estudos em Setembro.

ENTREVISTA (perguntas em português, respostas em galego...Habituem-se...que não tem dificuldade de compreensão, além de ser elementar num site que se quer visitado em igual proporção por galegos e portugueses).

Como caracterizas este teu novo trabalho, num formato diferente ao que nos habituaste?

Creo que o meu trabalho ha bebido de moitas influencias tanto de clásico como de moderno, pero o resultado é que non se parece a nada. É unha música moi orixinal, de momento, ninguén  ha sabido definirla. É unha música ecléctica  tratada íntegramente con instrumento acústicos coma son o piano e o violín, éste último tratado a modo de orquestra, xa que o carecer de presuposto, gravéi  moitos violines intentando de imitala.

Que te levou a investir neste trabalho mais pessoal, onde juntas violino e voz?

Xa levaba tempo rondádome na cabeza o compor as miñas cancións, Matt tamén mo había suxerido nalgunha ocasión e o que me hizo poñerme a traballar no meu disco foi a raíz do proxecto que fixen en Madrid encerrada na casa de cristal compoñendo unha canción. Era algo que tiña dentro  pero sempre hai un momento adecuado para facelo, e agora é o meu.

Que expectativas alimentas com este disco e onde pretendes levar este nova carreira? E o porquê de Patricia Moon?

A mí gustariame facer carreira en solitario co meu proxecto, é o que quero intentar e polo que vou traballar duro! É moi diferente o papel de violinista  que o papel que pode desempeñar o cantante ou líder dunha banda. No meu caso non me vou limitar só  na voz no directo, tamén tocarei o  violín e o piano, xa que levo un looper  que permíteme realizar varias cosas case o mesmo tempo! Com nome de Patricia Argüelles firmo os meus trabalhos como violinista. Este é un proxecto novo, nada que ver cos meus trabalhos anteriores,  na que a persoa que está o frente son eu, coma compositora, arreglista, cantante, violinista e pianista. Por iso o de cambiarme o nome. Proxecto novo, nome novo!

 

Neste trabalho apareces com uma interpretação, diria eu poderosa e com um registo de voz que me leva a pensar em influências que vão de Bjork a Tom Waits... Que sentimento te acompanha relativamente às influencias por detrás deste trabalho?

As influencias son moitas, non só a música, senón  o que pasa no mundo no que vivimos, coma o negocio das guerras, a corrupción do poder, etc. Tamén o cine influíme moito o longo da miña vida, é a “nova ópera”. A mín encántame contar historias imaxinarias, (son fan de Tim Burton) e quando nova gañei moitos premios no meu colexio escribindo contos.  Dous cancións do disco ( Bordering on Heaven  e The Return ) son instrumentais, un guiño a banda sonora no cine. De feito he sido becada na Berklee College (EEUU) onde teño pensado estudar a carreira de film music.

Comecei por ter noção do teu trajecto através dos Trem Fantasma, onde aparecias a tocar violino, entretanto também tive contacto com outro projecto de dança. Quem é afinal Patricia Arguelles, no que diz respeito ao seu raio e repertório artístico?

Sempre he sido unha persoa con moitas inquietudes e moi ambiciosa no sentido do saber, de abarcar moito.  A consecuencia de isto he ido movéndome por diferentes estilos  tanto na música clásica coma na moderna. Isto abréte a mente un montón, ademáis de darche a oportunidade de trabalhar con diferentes músicos e colectivos,  de tocar en sitios moi dispares, de coñecer cada día máis música e repertorio.

E ainda somas ao teu interessante currículo o teu trabalho junto de Matt Elliott. Que tal tem sido esta experiência? Como começou?

Matt Elliott é un músico a o que admiro un montón, además de ser moi bo amigo. É o meu padrino.É un deses poucos músicos que atravésante o alma coa súa música. Coñecímonos nunha sala de Vigo, onde eu tocaba de invitada cunha banda que teloneaban a Matt, e él conta sempre que cando subía as escaleiras para entrar no local e escoitome tocar quedou prendado do meu son. O curioso foi que non nos coñecimos ese día, pois o rematar de tocar eu fúnme,  non podía permitirme o luxo de quedarme o seu concerto, pois estaba en época de exámenes finais da miña carreira de violín e o día seguinte tiña un. Pero o día despois chamoume un componente da banda dicíndome que Matt había deixado un dos seus albums e o seu contacto para min, por si quería trabalhar con él. Por suposto eu escribínlle rápidamente e nos pusimos mans a obra!

 

Apareces agora como co-autora do seu segundo album de originais Howling Songs, após Failing Songs? Continuas a tocar ao vivo com ele? Como irás dividir os próximos tempos entre datas tuas e as de Matt Elliott?

Normalmente Matt toca so, agás que sea un concerto máis grande. A última vez que toquei con él foi fai uns meses na sala Galileo, en Madrid. Aunque  él está moito en España e nos vemos a miúdo. Non vai ser dificil cadrar as datas. Agora está inmerso no seu seguinte disco, xa teño os bocetos dalgúnhas cancións para ir trabalhando, pero non desvelarei nada máis…

E como galega o que opinas do circuito musical e artístico que vai havendo por aí?

En Galicia temos a sorte de contar con moitas salas para tocar, e subvencións por parte da Xunta, pero hai pouco diñeiro e moitas bandas. Creo que se debería invertir máis na Cultura, pero vaise prosperando pouco a pouco.

E que visão tens da relação da Galiza com Portugal? Pensas que poderia estar mais aberta e com menos fronteiras?

Eu amo Portugal, ten moita cultura, moitos concertos, de feito somos moitos os galegos que collemos o coche para desplazarnos a algún concerto en Porto, Espinho, etc. Creo que hai un movemento máis emerxente, é máis forte a aposta pola cultura en Portugal que en España. Galicia e Portugal son coma irmáns, estamos a tiro de pedra, referíndome a parte norte de Portugal, por iso creo que sí podería estar máis aberta a relación cultural entre Portugal e Galicia, máis intercambios de música, aunque grazas a organismos coma audienciazero o fan possível.

E a tuas experiências de concertos junto do público português que sensações te têm passado?

As veces que fun a tocar a Portugal quedei maravilllada coa resposta por  parte do público. Xente moi quente que responde moi ben os distintos tipos de música. E como un xesto vale máis que mil palabras…

Entrevista de Pedro Cadima, Audiência Zero

28Feb/100

Tui ferve com o Play-Doc

O Play-Doc já tem datas traçadas e programação definida para a sexta edição, que chega já em Março. É pertinho de nós (fala um portuense), é brilhante, fascinante, elegante, faz de Tui centro de atenções da Espanha cinéfila e torna o documentário o exercício mais belo de cinema. De 17 a 21 de Março o Play-Doc, sedeado no Teatro Area Panoramica, é porta-estandarte desta cidade galega que sorri para Portugal. O documentário é a essência do festival, visto e tratado a vários níveis. Na secção oficial haverá competição para longas-metragens (China - Desorde, Sérvia- Adeus, como Estás?, Russia - Sanya e Pardal, Suiça - Hasta la Victoria e França/Inglaterra/Estados Unidos - Sweetgrass), curtas e documentários galegos. Mas há muito mais para ver e apreciar no Play-Doc. Pela secção informativa vão passar documentários musicais, um deles uma co-produção Angola/Portugal 'Luanda, A Fábrica da Música' e ainda retrospectivas dos trabalhos do americano Jay Rosenblatt (um mestre do experimentalismo e um precioso executante do exercício do collage, que com 'Darkness of the Day' também marca presença em concurso nas curtas-metragens) e do francês Raymond Depardon (fotógrafo de reconhecido prestígio e um nome gigante do cinema real contemporâneo), que, assim, serão apresentados como estrelas maiores do certame em 2010. Fora de competição, merece relevo a presença em Tui de Christophe Abric (Chryde), que vem oferecer ao público galego uma palestra sobre o projecto que criou na internet - La Blogothéque - na rede desde 2003, que é um denso, inovador e espectacular armazém virtual de vídeos e artigos dedicados à música independente. O salto foi dado com o conceito de promover concertos em locais pouco convencionais como táxis, elevadores, ruas, parques. Dessa experiência já nasceram inúmeros e interessantes video-clips que envolveram bandas como Yo La Tengo ou Arcade Fire.

Falando de música, o Play-Doc tem bem vincada essa tendência. Este ano, há dois concertos para ver na Sala Metropol, interligados com documentários a apresentar no festival. Primeiro, a 19 de Março, os Batida, que juntam elementos de Lisboa e Luanda e apresentam em palco uma estimulante fusão de sons tradicionais com batidas mais electrónicas e urbanas. Em Tui surgem ainda acompanhados de um colectivo de dança. O seu universo pode ser desbravado também pelo aspecto audiovisual em 'Luanda, Fábrica de Música'. Na noite seguinte (20) é a actuação dos The Spinto Band que abre expectativas. Com um novo EP em trânsito para as lojas de discos 'Slim and Slender' estes americanos remetem-nos para o brilho e cor da indie pop, envolvida em influências dos Pavement. Os Spinto Band deram tiro de partida à rubrica Take Away Shows da Blogotéque. Além do requinte e banquete cinematográfico, há ainda exposições para apreciar no Teatro Area Panorâmica, havendo também workshops a acompanharem a evolução da sexta edição do Play-Doc.

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