Fantas pôs Invicta a ferver…recebendo mais de 42 mil espectadores
Heartless, Fish Tank e Thirst foram os filmes galardoados com as principais distinções do 30º Fantasporto - Festival Internacional de Cinema Fantástico do Porto - alimentado por muito e bom cinema ao longo de duas semanas, produções de todo o mundo entre novidades, reposições e retrospectivas, que foram a razão principal de mais uma notável média de espectadores. Pelo Grande e Pequeno Auditório do Rivoli terão passado mais de 42 mil pessoas, número partilhado por Mário Dorminsky na cerimónia de encerramento, ao que seguiram os prémios - que tiveram como protagonista o simpático Phillip Ridley, realizador inglês do multipremiado Heartless - e a exibição do filme 'The Crazies'. Pela noite dentro rolou o Baile dos Vampiros, uma festa mediática mas este ano pouca concorrida e minoritariamente mascarada. As propostas de dj set estiveram longe do nível de outros anos e essa terá sido a causa da escassa afluência, ainda para mais num sábado com especial frenesim na noite da Invicta.
Fechado o pano a mais uma edição é justo sublinhar que apesar da subtracção de apoios e da luta constante, por vezes desesperada, com o intuito sensibilizar as entidades competentes a outro tipo de apoio, o Fantas resiste com brilho e aura imensa, sendo de forma indiscutível uma marca de atracção cultural única na cidade, um baluarte de intervenção no campo audiovisual e ainda um festival cheio de vitalidade e coesão interna, entre directores, colaboradores e voluntariado. As mesmas caras, a mesma boa disposição e toda a informação necessária em circulação. Os 30 anos do Fantas foram celebrados em comunhão com outros ícones da cidade, chamados a subir ao palco do Rivoli para tocantes homenagens. Rui Veloso pelos seus trinta anos de carreira e o actor Júlio Cardoso, fundador da Seiva Trupe, a quem foi reconhecida uma louvável dedicação ao Teatro. Estes foram só mais dois a alinhar numa mensagem global, repetida mesmo por interlocutores internacionais. A luta do Fantas por mais apoios, particularmente, por uma maior atenção da Câmara Municipal do Porto e do Governo, foi reproduzida em palavras por diferentes agentes e distintos participantes. Num discurso de maior combate do próprio Mário Dorminsky até aos apontamentos mais circunstanciais de elementos do juri, da Galiza à Bulgária, da pintora russa Ludmila (recado textualmente escrito num papel a fazer lembrar galas mais pomposas) e que também fizeram eco pela voz do realizador inglês Phillip Ridley. Todos juntos, unidos por um festival cada vez mais forte...mais a viver do que a sobreviver.
Revivalista, saudosista, o Fantasporto prossegue vivo, chamativo e terminou com enchente para uma sessão cheia de adrenalina e divertido horror visual. Recente sucesso no Estados Unidos 'The Crazies'foi o filme resguardado para o final, feito com o intuito de homenagear George Romero pelos quarenta anos de 'Night of the Living Dead'. Quanto aos premiados, o Fantas honrou para a posterioridade Phillip Ridley, já vencedor em 1995 com 'The Passion of Darkly Noon'. Desta vez e após longo hiato criativo no que toca ao cinema, privilegiando outras paixões artísticas, o inglês trouxe ao Porto 'Heartless', que arrecadou troféu de Grande Prémio, melhor realizador e melhor actor - Jim Sturgess. Heartless foca os alucínios brutais de um fotógrafo nos subúrbios de Londres, invadido por visões de demónios e tentado a fazer um pacto com o diabo para limpar da cara uma marca de nascença. É a partir daí e com o brilhante surgimento do 'Homem das Armas' que o protagonista passa a ser confrontado com dilemas de personalidade, entrando numa densa histeria paranóica. Na categoria de cinema fantástico a menção honrosa do júri recaiu muito justamente em 'Deliver Us From Evil' da Dinamarca, que conta com um conjunto de interpretações brilhantes e um marcado registo sarcástico à volta de uma história de ódio e xenofobia impregnados numa comunidade. O final é verdadeiramente desconcertante...daqueles para aplaudir com todo o ritual do Fantasporto. Seguramente um dos melhores filmes do festival, assinado pelo dinamarquês Ole Bornedal.
Além do grande vencedor - Ridley subiu três vezes consecutivas ao palco - o Fantasporto 2010 premiou Fish Tank (Andrea Arnold) como Melhor Filme da Semana dos Realizadores e respectivo prémio Manoel de Oliveira e Thirst (Park Chan-Woo) como Melhor Filme da Secção Orient Express. O autor do memorável Oldboy e Simpathy for the Lady Vengeance voltou a surpreender com mais um filme visualmente poderoso e totalmente provocador. Salvo por sangue de vampiro, um padre é subitamente acossado por uma incontrolável sede de sangue ao mesmo tempo que desenvolve uma paixão sem limites por uma companheira de um antigo amigo. Juntos passam a partilhar o mesmo fascínio pela carne humana e é dentro deste romance que assenta o filme, fortalecido por desempenhos altamente vigorosos, por vezes arrepiantes, emoldurados num trabalho genial de fotografia.
Fish Tank foi indiscutivelmente um dos filmes mais apreciados no Fantasporto e acabou por não constituir surpresa a sua eleição como melhor trabalho apresentado na 20ª Semana dos Realizadores. Suportado num notável argumento, Fish Tank dá-nos o retrato cru de uma adolescente ostracizada pelo mundo que a rodeia em plenos subúrbios de Londres.
'Ward Nº6' do russo Karen Shakhnazarov, recebeu o Prémio Especial do Júri na Semana dos Realizadores. Inspirado na literatura de Anton Tchekov, este filme toca pela temática perturbadora, explorada com um certo trato de documentário ficcionado. Um médico psiquiatra, director de um hospício, passa terrivelmente para a pele de paciente. De um realismo assombroso, este filme ganha vida nas suas personagens e não estranha que tenha constituido nomeação russa para os Óscares, encantando, comovendo e acabando até por fazer sorrir.
Focados os principais filmes, houve outros que deixaram marca e saíram devidamente reconhecidos. Caso do francês 'La Horde' um grande caçada de zombies que triunfou como melhor argumento e melhores efeitos especiais,o espanhol 'Hierro' através do desempenho da actriz Elena Amaya ou o extraordinário 'First Squad', película de animação absolutamente esplendorosa, visualmente impactante para os olhos de qualquer espectador e que nos remete para um pouco de história em redor da II Guerra Mundial. Invadida pelos nazis, a Rússia procura contrariar a vitória alemã com um grupo de crianças portadoras de poderes paranormais. Pelo meio surgem relatos reais de testemunhas, que ajudam a credibilizar 'First Squad' como um filme muito interessante e deveras recomendável. Sucesso de bilheteira a par do sul-coreano Thirst foi o espanhol REC2, que também fez as delícias de todos os fãs do horror zombie. O português Embargo, de António Ferreira, fez, por sua vez, esgotar o Pequeno Auditório. Jennifer's Body com a escaldante Megan Fox foi outro dos filmes que deixou patente o entusiasmo da plateia.
Pela negativa, nota para Solomon Kane, um dos filmes mais enfadonhos do festival, mas que convenceu a maioria do público, que o votou como melhor. Pior, só mesmo o italiano Night of the Sinner, tirando a actriz bielorrusa que fez questão de se apresentar no Fantasporto.
Como é habitual,o Fantas prestou a sua homenagem a algumas carreiras, como ao português Luís Galvão Teles, também ele porta-voz de um sentimento de carinho para com o festival. O autor montou uma retrospectiva da sua obra para o Pequeno Auditório do Rivoli e esteve presente na cerimónia de encerramento. O produtor Samuel Hadida (Killing Zoe, True Romance) e o americano Colin Arthur (mestre em efeitos especiais, que trabalhou com Kubrick em '2001, Odisseia no Espaço') foram outras presenças de renome no Porto, devidamente agraciadas.
Quanto a filmes de maior nomeada, ficou na retina o brilhante e humorísticamente refinado 'The Time that Remains' de Elia Suleiman, que esteve em competição em Cannes. O realizador parte das memórias do pai para ilustrar com mestria um retrato da Palestina ocupada, através de uma familia que recusa sair da terra-natal.
Fantas recebeu a Ministra da Cultura
A passagem do primeiro fim-de-semana trouxe as primeiras enchentes ao Fantasporto, reflexo da sessão oficial de abertura e da exibição de alguns dos filmes mais esperados. Ao acto mais pomposo compareceu a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, desafiada a responder às queixas tão recorrentes da organização do festival, forçada ano a ano a delicada ginástica orçamental para manter vivo o Fantas e dotá-lo de pujança e prestígio para o futuro. Fazendo uso desse espírito de resistência e persistência, embalado pelo amor e carinho de um Porto cinéfilo, o Fantasporto apresentou-se em 2010 como um distinto trintão mas já a aparentar rugas de aturada luta contra às adversidades. O cartaz, não é novidade para ninguém, está longe de equiparar à força de nomes do passado, acaba por ser pouco ousado em novidades, socorrendo-se das retrospectivas e dos grandes premiados para continuar a merecer olho bem aberto da crítica especializada e dos crónicos espectadores. Destacado como um dos 25 melhores festivais do mundo pela Variety, o Fantas não deixa de fazer grande eco fora de Portugal, sendo perceptível, sobretudo, a invasão espanhola por estes dias à Invicta e aos assentos do Rivoli.
Exemplo flagrante das dificuldades acabou por ser a selecção de Solomon Kane para a gala de abertura, logo em dose dupla, bem dispensável, tratando-se de exercício deveras descartável de aventura/fantasia cheia de clichés, diálogos baratos e desempenhos artificiais. A representação do filme esteve, no entanto, em força no Porto com o realizador Michalle Bassett e o produtor Samuel Hadida, ligado a filmes de culto como True Romance ou Killing Zoe. Da passada sexta-feira o ponto forte assentou mesmo nos discursos oficiais...de Beatriz Pacheco Pereira, Mário Dorminsky, duo que dirige o Fantasporto...e claro da senhora Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que definiu o evento como produto cultural de elevado e inestimável valor para o sector audiovisual português. Na sua intervenção, fez questão de trazer uma mensagem de esperança quanto ao futuro do festival numa altura em que sobre o mesmo emergem incertezas. Deu corpo às balas, ouviu pelo centralismo cada vez mais gritante e sufocante de Lisboa, e também pela indiferença dada à Cultura em Portugal em termos orçamentais, sem escapar, claro está, às bicadas pelo apoio escasso votado pelo Estado ao Fantasporto. Mas ficou patente uma nota de incentivo para o futuro, transmitida pela simples presença de tamanha figura do Governo e, igualmente, por uma carta deixada pelo deputado Honório Novo (PCP) ao cuidado de Mário Dorminsky, lida no Rivoli. Documento esse, que resumido, revelou o desejo de votar em Assembleia da República uma comparticipação maior do Estado ao Fantas, numa lógica de actividade potenciadora de lucros para a área do Turismo.
Tirando o enfadonho Solomon Kane, houve dinâmica e entretenimento na sessão de abertura, marcada especialmente pelos avanços da robótica, temática tratada e desenvolvida nesta 30ª edição do Fantasporto, através de uma panorâmica cinematográfica e workshops.
Em termos de qualidade da selecção oficial do festival, o sábado devolveu ao Fantas a sua melhor imagem com o francês 'La Horde' e o sul-coreano 'Thirst' a fazerem encher o Grande Auditório do Rivoli e a arrebatarem palmas bem justificadas. O primeiro foi apresentado pelos seus realizadores e levou à tela uma bela e bem humorada caçada de zombies. Quanto a Thirst o cartão de visita já era poderoso, deixou rastilho a muita discussão em Cannes, e estava creditado como mais um filme do imaginário de Park Chan Woon, aclamado pelo sucesso de Oldboy. Debaixo de um enfoque polémico, o realizador transforma um padre num vampiro sedento de sangue e louco pelos prazeres da carne, após participação numa experiência médica em África. Desvario total, personagens exploradas até ao tutano numa viagem salpicada de sangue, mas também repleta de um excelso toque sarcástico ao que pode ser o prazer de matar para saciar o mais louco apetite. Do dia, nota muito positiva para 'First Squad', filme de animação co-produzido entre russos japoneses e canadianos. Arrojado e deslumbrante, este filme alude a uma guerra paralela (de poderes paranormais) entre russos e alemães em plena segunda guerra mundial. E é uma criança apoiada pelos seus amigos que define a história no momento da verdade.
Já ontem (domingo) a noite fechou com 'Dolan's Cadillac, de Jeff Beesley e protagonizado pelo conhecido Cristian Slater (True Romance). Uma vingança obestinada e meticulosamente arquitectada é o lema deste filme.
CINEMA ESPANHOL EM FORÇA
A segunda semana do Fantasporto vai iniciar hoje com forte presença espanhola e, aliás, muito aguardada. Falámos, essencialmente, de REC 2, sequela que surge apenas um ano passado sobre a exibição de REC, trabalho que nasceu da parceria entre Jaume Balagueró e Paco Plaza. O Grande Auditório do Rivoli receberá a partir das 23h15 mais esta obra-prima do terror que brota a grande escala no país vizinho. Sucesso do último ano em Espanha e seleccionado para a Semana da Crítica do Festival de Cannes, 'Hierro' antecede REC2 e pode ser visto pelas 21h15.
O Fantas chega ao fim a 6 de Março, estando reservada para a sessão de encerramento a exibição de 'The Crazies', que é uma homenagem a George Romero pela 'A Noite dos Mortos Vivos'. Ao longo do dia 7 serão exibidos os vencedores das diversas categorias do festival. O Baile dos Vampiros irá pôr o Sá da Bandeira ao rubro de fantasia, cor e intensidade na noite de 6 com Dj Ride e Dj Zé Pedro entre os protagonistas da festa. Para essa tarde (17 horas) foi também agendado um encontro informal de blogues luso-galaicos, logo após exibição desse sensacional,único, bandeira da Nouvelle Vague 'Pierrot le Fou' de Godard com Jean Paul Belmondo e Anna Karina. Às 15 horas no Grande Auditório do Rivoli.
Fantasporto apresenta Solomon Kane e Thirst
E o Fantasporto está praticamente a chegar ao primeiro fim-de-semana, no qual se concentram alguns dos filmes mais aguardados da trigésima edição. Após alguns dias de aquecimento com algumas das películas clássicas e de culto do festival (Braindead, Tetsuo, Re-Animator ou Tale of Two Sisters) é hora de abrir o pano para a sessão de abertura, uma gala que sempre traz convidados especiais ao Porto e implica um conjunto de intervenções dos responsáveis do certame. 'Solomon Kane' é o filme a quem estão entregues as honras de arranque oficial do Fantas esta sexta-feira (dia 26) em dose dupla no Grande Auditório do Rivoli (20h30 e 23h15). No pequeno auditório, as propostas de sexta-feira também prometem fazer as delícias do espectador tipo do Fantasporto: Colin (21 horas), um filme inglês e infame sobre zombies, orçado em raríssimos 50 euros; Sweet Karma (23h), um filme canadiano que parte do desejo insaciável de vingança de uma mulher sensual; e Tanden (1h15), filme oriental integrado na secção Retro Pink Cinema, melhor compreendido como cinema erótico japonês.
O sábado (27) será dedicado no Pequeno Auditório a retrospectivas (tanto ao cinema francês como ao português Galvão Teles).No Grande Auditório a programação é fortíssima, residindo em Thirst (23h15), novo filme do coreano Park-Chan Wook, realizador de Old Boy, o principal chamamento. Filme que coloca um padre católico na pele de um homem subjugado pelas tentações da carne,luxúria do sexo e fascínio pelo sangue após uma viagem a África. 'Thirst' chega ao Porto já com rótulo de escandaloso pela recepção em Cannes, sendo apresentado logo depois de um esgotante La Horde (21h15), um filme de acção e horror sem cortes. De tarde serão exibidos por esta ordem The Descent:Part 2 (15 horas), First Squad, um dos mais surpreendentes filmes de animação (17 horas) e Loins of Punjabi (19 horas), uma divertida comédia musical com toque de Bollywood.
ESTA NOITE, QUINTA-FEIRA (23 HORAS) - FAUSTO 5.0
Esta noite, o ponto forte do Fantasporto assenta na reposição de Fausto 5.0, um filme espanhol fortemente premiado no festival em 2002 (Grande Prémio e Melhor Actor). Um filme marcante onde o colectivo 'Fura dels Baus' interpreta e adapta para o cinema o mito de Fausto.
Braindead e Idiots and Angels no arranque do Fantas
Os aperitivos para um grande festival são a partir de hoje postos na mesa. Pelo pequeno e grande auditório do Rivoli vão começar a passar os filmes que marcam a 30ª edição do Fantasporto, que tem abertura oficial na sexta-feira (dia 26). Durante a semana serão já exibidas algumas películas de culto, sempre estimulantes para os espectadores crónicos do certame. Esta segunda-feira (dia 22), o Grande Auditório será palco de uma sessão dupla, a partir das 21h30 com Re-Animator, de Stuar Gordon e o lendário Braindead, um dos filmes de início de carreira de Peter Jackson, ao lado de Bad Taste e Meet the Feebles. Sangue a jorrar e um humor impagável fazem de Braindead uma bandeira do melhor cinema gore. Já no Pequeno Auditório há também para ver uma sessão dupla que fecha o grande premiado do ano passado: Idiots and Angels de Bill Plympton, que é, na verdade, um tremendo exercício de animação.
A abertura oficial do Fantas será feita com Solomon Kane no dia 26 em duas sessões(20h30 e 23h15). Um filme carregado de efeitos efeitos e com um herói solitário de protagonista. Michael Bassett assina a realização e Max von Sydow, prémio carreira do Fantas em 2008, está no elenco.
Conferência de Imprensa – Fantasporto
Esta quarta-feira (dia 17, às 15 horas), o Rivoli vai receber apresentação formal e definitiva do cartaz do Fantasporto - Festival Internacional de Cinema do Porto - que abre actos a 22 Fevereiro, tem sessão de abertura a 26, e fecho a 6 de Março. Mário Dorminsky irá dar conta das principais novidades, grandes apostas e todo esforço aturado por tornar possível mais um ano de Fantasporto, nada mais nada menos que a muita respeitosa 30ª edição.
Fantas ainda este mês
Fonte de inspiração de muitos, paixão e culto sem limites, o Fantasporto atinge a marca de uma lenda. A 30 edição acelera, o espectador desespera por tomar contacto com a mais surpreendente dimensão visual e abraçar o Rivoli como a sua casa durante cerca de duas semanas, concedendo-lhe a dignidade merecida e brindando a sobrevivência o certame. De 22 Fevereiro a 6 Março, com sessão de abertura oficial a 26 do corrente mês, o Fantasporto está em 2010 completamente centrado no Grande e Pequeno Auditório do Teatro Rivoli, fruto das contingências e barreiras que, por regra, enfrenta no planeamento de cada edição, sobretudo sentidas na definição orçamental. A perservança e devoção da organização continua, todavia, a trazer ao Porto a alta roda do cinena fantástico, entre exibições e convidados que fazem notar o brilho imenso que adquire a Invicta por esta época, trajada a rigor, entregue ao Fantas, dominada por um público sedento de novidades, louco por sangue, desejoso de reviver clássicos da história do festival e muito curioso por esse colossal e divertido Baile dos Vampiros. Tudo é esplendoroso, o cartaz sugestivo, a atmosfera estonteante para recordar vultos feitos no Fantasporto, como este ano será possível através de homenagens ou retrospectivas ao cinema francês...a Godard, Besson, Resnais, Truffaut, Rohmer, Renoir, ao português Luís Galvão Teles (lembrança que vem sendo anual após Fernando Lopes e José Fonseca e Costa em 2008 e 2009, respectivamente).
Apontado a mais de 350 exibições de filmes, entre as quais 240 estreias absolutas em Portugal, o Fantas 2010 volta a contar com o leque habitual de secções oficiais: Cinema Fantástico, Semana dos Realizadores, Orient Express e as Curtas de Cinema Fantástico. Já conhecidos desde há muito são os filmes agendados para abrir e fechar: Solomon Kane de Samuel Hadida a 26 Fevereiro (20h30 e 23h15) é o prato forte da cerimónia de abertura, enquanto The Crazies de Breck Eisner a 6 de Março (20h) é a sobremesa irresistível que permitirá tributar a obra-prima de George Romero 'The Living Dead' e fechar com chave de ouro a 30ª edição.
Entre o género fantástico sobressaem em competição os títulos 'Jennifer's Body' com Megan Fox, 'REC 2', sequela do filme exibido em 2009 da autoria dos espanhóis Paco Plaza e Jaume Balagueró, ou 'Thirst' de Park Chan-Wook, aclamadíssimo realizador sul-coreano pelo notável Oldboy, que traz agora o novo filme após passagem badalada por Cannes. Thirst volta a ser reflexo de uma mente provocante, capaz de desenhar um show visual chocante, suporte de um conteúdo polémico. E no meio ainda há o português 'Embargo' de António Ferreira.
Pela Semana dos Realizadores vão passar, por exemplo, Elia Suleiman com 'The Time That Remains', Karen Shakhnazarov com 'Ward No.6', Gabe Ibanez com 'Hierro', ou Andrea Arnold com 'Fish Tank', que saiu muito premiado da última edição de Cannes.
Na sempre aguardada secção Orient Express, estão sete filmes em competição, três da Coreia do Sul, dois do Japão e um da Índia e outro da Indonésia. Presente em Cinema Fantástico, Thirst é, seguramente, uma das películas mais desejadas pelo público do Fantasporto.
Fora de competição, o espectador do Fantas será ainda presenteados por rubricas especíicas como 'Pink Cinema' ou 'Heidi Goes Wild - Retro Cinema Suiço' mas poderá reaver no decurso do certame alguns dos seus filmes favoritos, umbilicalmente ligados à história deste Festival Internacional de Cinema. Este ano, a organização recuperada premiados de anos anteriores como Braindead, Tale of Two Sisters, Fausto 5.0, Cronos, Frostbiten, A Chinese Ghost Story, Le Dernier Combat ou Idiots and Angels (vencedor em 2009).
O cinema português será defendido com uma mostra de novos autores, especialmente curtas-metragens. Paralelamente, fruto de parcerias, haverão sessões da responsabilidade do Cineclube Avanca e do festival Black & White.
Por fim, nota para o Baile dos Vampiros, que acontece no dia 6, acompanhando a sessão de encerramento do Fantasporto. Como é hábito, este complemento invade com brilho e fantasia única o Teatro Sá da Bandeira.
toda a programação a consultar na página do festival, referente ao Pequeno e Grande Auditório do Teatro Rivoli:
Fantasporto x 30

O Fantasporto atinge em 2010 extraordinária longevidade e uma marca de enorme orgulho. Vem aí a 30ª edição do Festival Internacional de Cinema do Porto, no Teatro Rivoli, que deve constar de qualquer agenda entre 26 de Fevereiro e 7 de Março. O cinema fantástico, o gore, o asiático e muitas outras obras de autor figuram numa programação, que começa a revelar nomes e a atrair expectativas. 'Solomon Kane' é o filme destacado para a sessão de abertura, que será realizada a 26 Fevereiro. Uma superprodução, cuja realização pertence a Michael J. Basset, aclamado realizador de Deathwatch. Uma emocionante aventura onde o herói da história vende a alma ao diabo e como castigo dos seus pecados tem de salvar o reino do seu pai. Assegurado está já também o cartaz de encerramento do festival com 'The Crazies', uma homenagem de Breck Eisner ao sensacional George Romero, autor em 1973 de um filme com o mesmo nome e de outras obras marcantes como 'The Zombies' e ' A Noite dos Mortos Vivos'. Do elenco fazem parte Penélope Cruz e Mathhew McConaughey.
Na 3oª edição do Fantasporto estão ainda certas uma homenagem muito completa ao melhor cinema francês (Besson, Godard, Renoir Resnais) e uma retrospectiva de cinema e robótica. Consagrados no Fantas, Vincenzo Natali, premiado com Cubo, Cypher e Nothing, vem, desta vez, com 'Splice', enquanto Jaume Balagueró e Paco Plaza, que dividiram autoria de 'REC', têm a sequela na manga para apresentar no Porto. REC2 é uma grande atracção em 2010. Seguimento será dado também com a segunda parte de 'Descent', de Jon Harris, argumentista de 'Eden Lake'. Chan-Wook Park, realizador do memorável e aclamado Old Boy, terá visibilidade no Fantas com o seu novo trabalho 'Thrist', que fez sucesso na última edição de Cannes.
A semana dos realizadores está igualmente recheada de propostas irrecusáveis. Logo a começar com o filme que mereceu prémio especial do Júri em Cannes: 'Fish Tank' de Andrea Arnold. É obrigado desviar ainda a atenção a 'Dolan's Cadillac' - «uma história de vingança na fronteira tórrida dos Estados Unidos da América com o México, onde um herói solitário afronta o rei do tráfico de mulheres», ou a 'The Time that Remains' do conceituado realizador israelita Elia Suleiman, muito aplaudido em Cannes.














